O ex-secretário municipal de Cultura de São Luís, Marlon Botão, pai do vereador Marlon Botão Júnior, divulgou artigo, neste fim de semana, no qual critica a aproximação do deputado federal Rubens Pereira Júnior com o pré-candidato ao Governo pelo PSD., Eduardo Braide.
Vice-presidente nacional do PT, Rubinho foi flagrado recentemente com o ex-prefeito da capital em agendas políticas no interior do Estado – reveja e reveja.
Para o marqueteiro e militante político, ao se aproximar de Braide, Rubens Júnior cai na estratégia do ex-prefeito, afronta a candidatura do próprio partido, encabeçada pelo vice-governador Felipe Camarão, e fortalece a frente bolsonarista no Maranhão.
Por incrível que pareça, uma das principais lideranças do neopetismo maranhense amarelou diante do bolsonarismo no estado.
Vice-presidente nacional do PT e vice-líder do governo Lula na Câmara dos Deputados, Rubens Pereira Júnior apareceu abraçado com Eduardo Braide, hoje o principal braço eleitoral do bolsonarismo no Maranhão.
Rubens pode dizer que o encontro não significa apoio. Mas, na política, gestos também falam. E aquele gesto foi dado justamente quando o PT tem Felipe Camarão como pré-candidato ao governo e Braide reúne em seu palanque algumas das principais forças que representam Bolsonaro no Maranhão.
A trama de Braide, mais uma vez, deu certo.
Ele posa de bom moço, apresenta-se como alguém acima das disputas e espera que os outros se entreguem ao seu projeto como se estivessem diante do único caminho possível. Vende a imagem de que é “o cara”, enquanto evita assumir qualquer compromisso com Lula, com o PT ou com o campo democrático.
Rubens lhe entregou exatamente a cena que desejava: um dirigente nacional do PT sorrindo ao seu lado, enquanto o próprio partido tenta construir uma candidatura contra ele.
Braide comemora. E não é difícil entender o motivo.
Milito nas fileiras do PT desde 1988. Conheço sua história, suas disputas e suas contradições. As divergências sempre fizeram parte da vida partidária. Desde sua fundação, diferentes grupos, concepções e tendências disputam democraticamente os rumos da legenda.
O que estamos vendo agora, porém, não é uma divergência normal. É uma situação degradante e sem precedentes no PT maranhense.
Não existe justificativa lógica, seja do ponto de vista partidário, eleitoral ou ideológico, para que uma liderança nacional do PT ajude a fortalecer um adversário da candidatura do próprio partido. Muito menos quando esse adversário constrói no Maranhão o palanque das forças que trabalham para derrotar Lula.
A atitude de Rubens não atinge apenas Felipe Camarão. Também busca enfraquecer Carlos Brandão e Orleans Brandão, que permanecem entre os principais aliados do presidente no estado. Acima de tudo, fragiliza o projeto nacional liderado por Lula e contraria os interesses da classe trabalhadora maranhense.
A reeleição do presidente não é uma questão meramente partidária. É uma necessidade estratégica para o Brasil e para o Maranhão. Depois de tudo o que o povo sofreu durante os quatro anos de Bolsonaro, derrotar novamente esse campo político é uma questão civilizatória.
Está em jogo a defesa da democracia, do Estado laico, do respeito às diferenças e do direito de cada pessoa viver sem ser perseguida por sua origem, sua crença ou sua orientação sexual.
Não há coerência em ocupar posição de destaque no PT e no governo Lula enquanto se oferece força política ao principal palanque do bolsonarismo no Maranhão.
Talvez a própria forma como Rubens chegou ao PT ajude a explicar essa distância em relação à história e à identidade do partido.
Ele não foi formado nas bases da legenda, nem construiu sua trajetória no movimento estudantil, nos sindicatos, nas comunidades ou nas lutas sociais que moldaram gerações de militantes petistas. Rubens entrou no PT quando já possuía mandato, estrutura política e projeção eleitoral.
Não há problema em o partido receber novas lideranças. O problema é quando alguém acolhido, prestigiado e beneficiado pela legenda demonstra não ter assimilado os compromissos que sustentam sua história.
Desde que chegou ao PT, Rubens recebeu tratamento diferenciado. Teve acesso a espaço, recursos e condições políticas que muitos militantes históricos nunca tiveram.
Lideranças que dedicaram décadas aos movimentos sociais e à organização popular não encontraram as mesmas oportunidades para consolidar seus nomes eleitoralmente.
Rubens recebeu tudo isso.
Era razoável esperar que, depois de tantos anos, tivesse assimilado ao menos parte da história, dos valores e dos compromissos do partido que o acolheu. No entanto, justamente quando Lula mais precisa de unidade, ele escolhe oferecer uma vitória política ao grupo que trabalha para derrotá-lo no Maranhão.
Eu, que vivo de perto a política de São Luís, imagino como devem estar os integrantes do Coletivo Nós diante dessa cena.
O Coletivo Nós, que representa o PT na Câmara Municipal de São Luís, fez enfrentamento direto à gestão de Eduardo Braide. Seus integrantes denunciaram falta de diálogo, perseguições políticas e dificuldades impostas a projetos sociais e comunitários por serem identificados com o partido.
Enquanto militantes petistas enfrentavam Braide nas comunidades e no plenário da Câmara, uma das figuras mais beneficiadas pela legenda aparece abraçada com ele.
Como explicar esse gesto a quem sofreu na base? O que dizer às lideranças comunitárias que fizeram oposição a Braide e denunciaram retaliações? Como exigir compromisso dos militantes se um vice-presidente nacional do partido age em sentido contrário à estratégia da própria legenda?
A postura de Rubens aprofunda a fragilidade de um PT que já enfrenta sérias dificuldades de representação institucional no Maranhão. O partido está fora da Assembleia Legislativa e corre o risco de ficar também sem representação na Câmara dos Deputados.
Em vez de trabalhar para reconstruir a legenda, fortalecer sua base e preparar novas lideranças, Rubens coloca em xeque o que o PT representa no estado e a serviço de quem ele está.
Nos últimos dias, o deputado ganhou notoriedade. Não foi por apresentar um grande projeto para o Maranhão, por defender os trabalhadores ou por dar uma contribuição decisiva ao governo Lula. Foi por uma atitude política pífia, vergonhosa e profundamente prejudicial ao partido que lhe deu abrigo, estrutura e projeção nacional.
E quem ganha com isso?
Ganha Eduardo Braide, que posa de bom moço enquanto avança sobre um partido dividido. Ganha a frente bolsonarista, que recebe de presente a imagem de um dirigente petista legitimando seu principal projeto eleitoral no Maranhão.
Braide não assumiu compromisso algum com Lula. Não fez qualquer gesto em defesa do projeto nacional do PT. Apenas recebeu Rubens, sorriu para a fotografia e deixou que ele próprio enfraquecesse o partido ao qual pertence.
Talvez o episódio sirva para esclarecer algo que muitos militantes já começam a perceber: o verdadeiro PT, aquele que nasceu das lutas populares, da organização dos trabalhadores e da resistência democrática, pode não ser o lugar político de Rubens Júnior.
Ao se aproximar de Braide, Rubens não trai apenas Felipe Camarão, Brandão ou Orleans. Trai a confiança dos militantes que sustentam o partido, o esforço pela reeleição de Lula e o povo maranhense que conhece as consequências do bolsonarismo.
Rubens fez sua escolha. Braide agradece.
Agora, cabe ao PT decidir se também vai amarelar.