A divulgação de mais uma pesquisa eleitoral do instituto IPPI, nesta quarta-feira, 14, reacendeu o debate sobre a credibilidade de levantamentos eleitorais que vêm sendo utilizados por aliados do ex-prefeito Eduardo Braide na pré-campanha ao Governo do Maranhão.
O motivo é grave: dias antes da nova divulgação, a própria Justiça Eleitoral determinou a suspensão de uma pesquisa do IPPI por irregularidades no registro obrigatório junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Na decisão, a juíza Rosângela Santos Prazeres Macieira reconheceu a existência de falhas que comprometem a transparência e a fiscalização do levantamento, destacando a ausência da nota fiscal obrigatória da pesquisa, documento exigido pela Resolução do TSE para garantir a lisura e a rastreabilidade dos recursos utilizados.
A magistrada ressaltou ainda que pesquisas eleitorais possuem forte potencial de influenciar o eleitorado e o chamado “voto útil”, justificando a intervenção judicial para preservar o equilíbrio do processo eleitoral.
A decisão determinou a suspensão imediata da divulgação da pesquisa registrada sob o número MA-06703/2026, sob pena de multa diária de R$ 1 mil.
Nos bastidores políticos, porém, a avaliação é de que o instituto apenas cancelou o levantamento questionado e registrou outro semelhante, numa tentativa de contornar os efeitos da decisão judicial e manter a divulgação de números favoráveis ao grupo político de Braide.
O episódio reforçou críticas que já vinham sendo feitas a outros institutos usados para impulsionar narrativas eleitorais no Maranhão, como o Veritá.
Em parecer oficial, a própria Procuradoria Regional Eleitoral apontou irregularidades em pesquisa do instituto, reconhecendo falhas no cumprimento das exigências legais previstas pela Resolução do TSE.
Embora o Ministério Público Eleitoral tenha afastado a tese de fraude metodológica no caso da Veritá, o parecer foi categórico ao afirmar que houve irregularidade objetiva na ausência de documentação obrigatória, especialmente da declaração assinada pelo estatístico responsável pela pesquisa.
O documento afirma que a falta dessas informações retira a “chancela de validade” do levantamento e pode equipará-lo a uma pesquisa não registrada para fins de divulgação.
No meio político, cresce a percepção de que pesquisas contestadas judicialmente vêm sendo usadas como ferramenta de marketing eleitoral para tentar criar uma sensação artificial de favoritismo.
O uso recorrente de institutos envolvidos em questionamentos judiciais e pareceres do Ministério Público tem levantado dúvidas sobre a estratégia adotada por Eduardo Braide e seus aliados na tentativa de influenciar o debate público por meio de números sob contestação.
A sucessão de episódios envolvendo IPPI e Veritá amplia o desgaste sobre a credibilidade desses levantamentos e acende um alerta para o eleitorado maranhense: em ano eleitoral, mais do que números divulgados em manchetes e redes sociais, o que está em jogo é a confiança nas informações apresentadas à população.
E, em se tratando de Eduardo Braide, tudo anda muito estranho.