Mesa Diretora rejeita manobra da oposição e mantém CPI para investigar vice-governador

A Mesa Diretora da Assembleia Legislativa do Maranhão rejeitou, nesta quinta-feira, 9, requerimento de autoria do deputado Rodrigo Lago (PSB) através do qual o mesmo buscava atrapalhar o andamento dos trabalhados de uma Comissão Parlamentar de Inquérito instalada com o objetivo de investigar denúncias que pesam contra o vice-governador Felipe Camarão (PT) – reveja, reveja e reveja.

No pedido, o socialista levantou algumas questões de ordem e apontou assuntos que, segundo ele, poderiam configurar como ato inconstitucional em relação a instalação do colegiado.

A presidente da Casa, deputada Iracema Vale (MDB), indeferiu o pedido afirmando que a CPI foi legitimamente instalada seguindo os preceitos da Lei e da competência que cabe ao Poder Legislativo.

Uma nova reunião da Comissão será marcada para os próximos dias, oportunidade na qual serão eleitos presidente e vice-presidente.

Pelo Bloco governista Unidos Pelo Maranhão são membros titulares da CPI os deputados Ricardo Arruda (MDB), Ana do Gás (Republicanos), Mical Damasceno (Republicanos), Yglésio Moyses (PRD) e Adelmo Soares (MDB).

Pelo Bloco do PL, o representante é o deputado Aluízio Santos.

O Bloco de oposição, denominado de Parlamento Forte, indicou o próprio Rodrigo Lago.

São suplentes: Carlos Lula (PSB), da oposição; Fabiana Vilar, do PL; e Helena Duailibe (Republicanos), Florêncio Neto (MDB), Kekê Teixeira (MDB), Eric Costa (Republicanos) e Jota Pinto (Republicanos) pelo campo governista.

A Comissão terá como foco principal apurar denúncia contra Felipe Camarão contida em um Procedimento Investigatório Criminal, cuja investigação é de competência do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas do Ministério Público do Maranhão (GAECO), no qual o procurador-geral de Justiça, Danilo José de Castro Ferreira, pleiteou ao Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) o afastamento cautelar do vice-governador do cargo.

A investigação contra o petista teve início a partir de relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), órgão vinculado ao Banco Central, apontando para movimentações financeiras atípicas envolvendo Camarão; familiares seus; e servidores estaduais.

De acordo com o Ministério Público, foram identificados mais de R$ 4,6 milhões em créditos além dos rendimentos salariais, além de centenas de depósitos em dinheiro sem identificação de origem e operações fracionadas, prática que pode indicar tentativa de dificultar o rastreamento dos recursos.

A apuração também aponta a existência de uma rede de movimentação financeira envolvendo terceiros, incluindo policiais militares ligados ao gabinete institucional, que teriam atuado como operadores, recebendo valores, fragmentando quantias e realizando repasses em benefício do vice-governador.

Outro ponto destacado no documento diz respeito ao pagamento de despesas pessoais por terceiros, como hospedagens, tributos e outras obrigações, além de transferências diretas e indiretas que envolveriam pessoas próximas ao núcleo familiar.

Há ainda indícios relacionados à aquisição de imóveis de alto valor, que somam cerca de R$ 4,7 milhões, considerados incompatíveis com os rendimentos formais e sem a devida correspondência nas declarações fiscais.

O vice-governador nega as acusações.

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