Aprendizado no campo

Nos últimos anos houve uma drástica redução da população que vive no meio rural e que tinha na atividade agropecuária sua principal fonte de renda. Esse processo é agravado na medida em que a saída ocorre, sobretudo entre jovens, no Brasil. Em São Luís, desde o início da minha gestão tenho implantado políticas que não apenas incentivem a permanência do jovem e sua família no campo, mas que também valorizem a zona rural como fonte de saber e de renda.

Um dos nossos principais equipamentos de incentivo à permanência da população rural em suas localidades é a Escola Casa Familiar Rural (ECFR), localizada no bairro do Quebra Pote, zona rural de São Luís. A escola atende alunos filhos de pequenos produtores rurais que recebem educação em tempo integral. O ciclo de formação dura três anos e além do currículo comum, os alunos, que tem faixa etária acima de 14 anos, têm aulas também de zootecnia, agricultura, horticultura e piscicultura. As aulas são teóricas e práticas em uma área de muito verde e livre acesso à natureza.

A unidade adota a pedagogia da alternância, segundo o qual o aluno permanece na escola durante uma semana, de segunda a sexta-feira, e no período subsequente permanece em sua residência, colocando em prática os conteúdos aprendidos na escola. Desta forma incentivamos o desenvolvimento e a fixação dos estudantes no campo, ao mesmo tempo em que estimulamos a produção familiar rural.

A área da ECFR é de 20 hectares, compreendendo o prédio da escola, com salas de aula, pátio, biblioteca e alojamentos dos estudantes, e a área externa destinada ao cultivo. Em minha gestão, a escola recebeu sua primeira reforma em 15 anos de funcionamento. Foram executados serviços como a recuperação da alvenaria, pintura interna e externa; o ginásio foi reconstruído e ganhou passarela de acesso à escola; foi feita a reconstrução dos banheiros; a secretaria recebeu forro e divisórias; e a cozinha foi totalmente reformada.

Outro benefício das obras foi a segurança com a instalação de uma segunda portaria que serve para acesso pela comunidade. Assim, quem precisar utilizar a estrutura para alguma atividade, não vai interferir na rotina escolar, fortalecendo a integração entre a comunidade escolar e os moradores do entorno.

Para fortalecer a formação pedagógica são desenvolvidos diversos projetos na escola. Um deles é o Quintais Produtivos, por meio do qual os alunos colocam em prática o que aprendem na escola. Nos quintais das residências são plantadas hortaliças, construídos criadouros de aves ou peixes. Esse projeto é ampliado por meio do Plantando Sementes e envolve estudantes que, além de trabalharem no cultivo dos alimentos, também estão tendo a oportunidade de desenvolver o empreendedorismo e práticas de comercialização dos produtos.

Por meio dos dois projetos são produzidos alface, cheiro verde, quiabo, mamão, milho, abacate, banana, coco, pepino, macaxeira, abóbora, ovos, galinha caipira e os peixes tambaqui e tilápia. Como toda a produção é feita sem o uso de agrotóxicos e outros materiais que estimulem o crescimento, os produtos têm espaço garantido no mercado onde a busca por alimentos orgânicos tem crescido.

O trabalho que desenvolvemos por meio da Escola Casa Familiar Rural é parte de um amplo pacote de ações na zona rural que incluem ainda a entrega de sementes para produtores da região, a reestruturação de cadeias produtivas locais, a entrega de equipamentos, máquinas e a garantia de assistência técnica.

Com todas estas ações na zona rural de São Luís, estamos garantindo tanto o ensino regular quanto a qualificação dos moradores desta região em temas pertinentes à área em que residem, contribuindo para o desenvolvimento desta região da nossa cidade e fornecendo os meios necessários para que, se for do seu interesse, o cidadão do campo possa permanecer em seu local de origem.

Edivaldo Holanda Júnior

Prefeito de São Luís

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